Porque a vida é um poema contínuo...

Porque há coisas que guardo no meu sótão e quero partilhar: a minha descoberta diária como teólogo, o que me impressiona, a minha pesquisa pelo Homem, de lanterninha na mão, ao meio dia, qual Diógenes... Este blog é um motor de busca: busca de mim, busca dos outros - de ti, busca do Homem, busca de Deus.

AQUI ESCREVE-SE, TEIMOSAMENTE, SEGUNDO O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1945. E ESPERA-SE QUE SEJA POSSÍVEL CONTINUAR A FAZÊ-LO POR MUITOS MAIS ANOS.

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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

afinal, ainda há lugar para a fé

Ainda há lugar, hoje, para as virtudes teologais, mesmo que de forma diferente de outros tempos. Vivemos um período em que o Cristianismo, e o catolicismo em particular, estão em reconstrução. E ainda bem que é assim. Só assim se sobrevive dois mil anos. Só assim se continua a seguir Jesus, se soubermos sempre nascer de novo (Jo 3, 3-5). A fé permanece.

Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana

Nós é que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos

Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana

Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»


Ruy Belo, País Possível, Lisboa, Ed. Presença 1998, p. 38.

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